Domingo, 21 de Março de 2010
Maria Alda Nogueira: Uma mulher, Uma vida, Uma história de amor (III)

  No dia do 87º aniversário do seu nascimento a partir de hoje publicaremos a transcrição integral de um texto da autoria de Helena Neves, com edição do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) sobre Maria Alda Nogueira. Foi publicado em 1987 por ocasião da entrega pelo MDM da Distinção de Honra, numa homenagem a uma vida dedicada à defesa da igualdade, da justiça social e da paz.

 

(continuação)

Encontros e retornos de uma mulher
 

O DESPERTAR
Mesmo aqui ao lado o povo lutando. Ah! Quanta esperança de mudança nascia de terras de Espanha, quanta certeza no Movimento das Brigadas Internacionais. Nunca houve um exército assim. Poetas, escritores, músicos, de todas as artes eram estes guerreiros de uma causa só, estes homens em guerra pela paz, a democracia, a liberdade. Nunca houve um exército assim e nunca as canções de uma só língua se cantaram em tantas línguas. Nunca à mesma hora em tão diversos e longínquos sítios, se aguardava com tamanha ansiedade as novas da frente.
«Nós começámos todos a ouvir clandestinamente as emissões da Rádio Republicana. O meu pai torcia pelos republicanos, contra os franquistas. Eu, entretanto, entrara para o liceu, conhecera novas amigas, iniciei-me na luta. Por essa altura comecei a trabalhar no Socorro Vermelho Internacional recolhendo géneros e roupas para enviar aos nossos amigos espanhóis. Sentíamos um entusiasmo tremendo. Pensávamos que derrotado o fascismo e Espanha, também em Portugal ele não perduraria…»
Sim, nunca houve uma esperança assim partilhada. Nunca as mulheres sonharam tanto o reencontro vitorioso com o amado, a euforia dos corpos reencontrados no ardor da alegria conquistada.
Nunca.
E nunca houve um poeta assim.
                  
Espanha!

Não faças caso de lamentos
Nem de falsas emoções,
as melhores devoções
são os grandes pensamentos.
E ainda que por momentos
o mal que te feriu se agrave,
ergue-te indómita e brava,
em vez de caíres cobarde,
estala em pedaços e arde,
pois antes morta que escrava.

Por isso nunca nenhuma derrota foi tão amarga. Nem tão chorada também.

(continua) 


sinto-me:

publicado por mdm-viseu às 12:09
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